O que eu quero ser quando for grande…..

Todos nós temos algumas histórias que nos marcam profissionalmente, quer seja pela surpresa que provocam, quer pela curiosidade que despertam, e a que vos vou contar hoje não é diferente.

Eu tinha agendado um diagnóstico com um potencial cliente, fruto de uma referência, e seria enquadrado em Executive Coaching, no âmbito de uma carreira já com alguns anos e, pelo que eu tinha percebido, de sucesso e até bastante linear; subindo degrau a degrau.

A história profissional era muito simpática, com bastante consistência e sucesso, mas o meu interlocutor não sabia bem como enquadrar o que pretendia, na medida em que desenvolvimento pessoal era algo que só estaria relacionado com o indivíduo e o profissional só com a profissão e carreira… E isto fez-me quase recuar ao final dos anos 80 e início dos 90, quando se insistia nesta dicotomia: a pessoa e o profissional.

A conversa durante o diagnóstico foi fluida, clara e aberta, sem nada escondido, à exceção do desconforto em admitir que precisa de alterar a maneira como se vê a si próprio; como reflete sobre a sua identidade, para poder evoluir. Somos um, indivisíveis e unos, e a busca do sucesso profissional está intrinsecamente interligado com o crescimento e desenvolvimento pessoal. Sem este dificilmente algo acontece relativamente à tão desejada mudança.

A minha intervenção, no sentido de explicar que o desenvolvimento profissional engloba a aquisição de competências, conhecimentos e experiências relevantes para a carreira ou ocupação do indivíduo, foi aceite com um sorriso complacente. Reiterei que este desenvolvimento profissional envolve o aperfeiçoamento de conhecimentos técnicos, o domínio de competências específicas, a par das tendências emergentes e das melhores práticas. No entanto, a base do crescimento profissional está no desenvolvimento pessoal: o processo contínuo de autoconsciência, autodescoberta e autoaperfeiçoamento/aprendizagem.

Concomitantemente, assinalei que, reconhecendo esta relação simbiótica, os indivíduos e as organizações estão a recorrer cada vez mais a várias ferramentas e estratégias para melhorar tanto as suas capacidades profissionais como o bem-estar pessoal das Pessoas nas organizações. De entre estas, referi o Executive Coaching, Team Coaching e o Business Coaching, para além da Mentoria, como ferramentas poderosas para promover o crescimento, a eficácia da liderança e o sucesso organizacional.  E aqui senti um suspiro de alívio. As coisas começavam a fazer sentido, mesmo sem ter de entrar em pormenores relativamente às designadas soft skills, que prefiro designar como power skills, geralmente reconhecidas como a base do desenvolvimento pessoal e crescimento do indivíduo.

Este diagnóstico fez-me refletir, ainda mais do que habitualmente, ao recordar uma questão que é muito comum ser colocada às crianças ou mesmo adolescentes:

o que é que queres ser quando fores grande?

É esta a pergunta que nós queremos ver respondida ou temos de a reformular para

o que queres fazer quando fores grande?

qual a profissão que escolhes?

As palavras têm poder, informam e formam-nos, e culturalmente o discurso condiciona o nosso sentir e o nosso posicionamento, como nos vemos e nos reflectimos, o que não ajuda a clarificar que a nossa identidade não é o que fazemos, mas o que somos! E isto leva-me mais longe, a uma afirmação que já ouvi repetidas vezes quando alguém é demitido ou se reforma:  eu era engenheiro, mas agora já não sou nada….

A conversa continuou na senda da descoberta do motivo principal para iniciar um processo de Executive Coaching  e a minha surpresa voltou a aumentar quando o meu interlocutor me referiu que já tinha feito uma meia dúzia de sessões, a que não tinha dado continuidade na altura,  e que tinha uma noção clara dos principais benefícios de um processo de coahcing, nomeadamente clareza, foco, desenvolvimento de planeamento estratégico, desenvolvimento de competências de liderança e melhoria de desempenho…. sem mencionar a reflexão sobre a sua identidade.

Finalmente, a pergunta impunha-se: então o que procura agora?

A insatisfação é um motivador extraordinário, que cresce quase descontroladamente à medida que a nossa visão de um futuro diferente aumenta também, e é o caso concreto que vos relato.  O meu potencial cliente, queria alterar o seu percurso profissional, sentindo-se bem com aquilo que é, fiel aos seus valores, o que não invalida, de modo algum, o trabalho sobre a sua self-awareness  e aprendizagem continua para garantir o sucesso dos próximos passos.

Faz sentido para si? Deixe-me os seus comentários ou pode contactar-me através de emilia@emiliaalves.com. Estou à sua disposição.

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